sexta-feira, 3 de maio de 2013

INICIO DA CONSTRUÇÃO











































PASTOR ELINALDO



Elinaldo Renovato de Lima

COMPARTILHO. Resposta a um Manifesto contra a "Homofobia Evangélica".
HOMOFOBIA EVANGÉLICA? SERÁ VERDADE?
Pr. Elinaldo Renovato de Lima *
Um militante gay, que não se identifica, no blog “Missão Pró-LGBT” , diz que existe homofobia evangélica no Brasil. Em seu manifesto, diz que é evangélico, com formação teológica, em Seminário Batista. Como sou um pesquisador, com formação teológica, e também acadêmica universitária, gostaria de fazer algumas observações e indagações com respeito e atenção às ideias do autor do documento.
1. O PAÍS QUE MAIS MATA GAYS. Em sua argumentação, o autor constata que “O Brasil é o País que mais mata gays no mundo”. Uma das razões porque resolveu encabeçar esse manifesto. Com todo o respeito que tenho às ideias alheias, mesmo que delas possa discordar, gostaria de saber quantos homossexuais foram mortos por evangélicos, nos últimos anos. Em 2011, um grupo gay listou cerca de 295 assassinatos de gays, em todo o País. E não houve um só caso, destacado como tendo sido praticado por algum pastor, padre, ou mesmo um membro ativo de uma igreja evangélica. Realmente, gostaria de saber quantos gays foram mortos por evangélicos. Vemos gays sendo mortos, sim, por neonazistas, bandidos, ou por disputas passionais, e por ciúmes, dentro do próprio grupo homossexual. O autor do manifesto sabe disso. Realmente, há muitas agressões a homossexuais no Brasil. Com o que nenhum cristão deve concordar.
2. AMOR COM HIPOCRISIA. O manifestante diz que os evangélicos são hipócritas, porque dizem que amam os homossexuais, ao mesmo tempo que os odeiam. Muito estranha essa afirmação. Jesus disse que devemos amar até a nossos inimigos (Mateus 5.44). Não há uma só razão para um cristão sincero odiar um gay ou uma lésbica. Mas há muitas razões para amá-los, sim. Mas amar não significa concordar com todas as pessoas e com todos os comportamentos. O autor do manifesto cita o exemplo do Bom Samaritano, que socorreu o homem vítima de um atentado, enquanto religiosos passavam de largo. É um texto clássico contra a falsa religiosidade.
Mas lemos, também, que os fariseus levaram uma mulher, apanhada no próprio ato de adultério, diante de Jesus. O Mestre a perdoou, não a condenou, mas não concordou com ela. Diz o texto: “E, endireitando-se Jesus e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais” (João 8.10, 11). Jesus a amou, perdoou-a, mas não concordou com sua prática sexual. Se um cristão concorda com um comportamento, reprovado por Deus, é cúmplice do pecado.
Aqui, existe um grave equívoco. Ativistas homossexuais repetem ao extremo que os evangélicos odeiam os gays. Por que? Simplesmente porque discordam de seu estilo de vida e de sua prática homossexual. Será que toda discordância é discriminação? A opinião contrária é sempre por causa de ódio? Os evangélicos sérios, comprometidos com a palavra de Deus, discordam da homoafetividade por razões doutrinárias. O manifestante conhece os textos bíblicos, no Antigo e no Novo Testamento, que condenam a prática homossexual (Levítico 18.22; 20.13; Romanos 1.24-27; 1 Timóteo 1.10; 1 Coríntios 6.10 e referências). Quem desejar, pode ler os textos em referência, inclusive verificando os termos no original grego.
Lamentavelmente, o segmento LGBT deseja cercear a liberdade de opinião e de crença. Deseja por atrás das grades pastores, padres, e outros líderes religiosos que discordam de seu estilo de vida. Isso é um absurdo total. Se o tal PL 122 ou substituto dele for implantado, prevendo cadeia para quem discorda dos gays “por motivos filosóficos”, veremos implantado, no Brasil, o famigerado “crime de opinião”, que só existe nas mais desumanas ditaduras do mundo!
3. OS EVANGÉLICOS TÊM A BÍBLIA “AO PÉ DA LETRA”. O documento registra isso. Se um cristão tem a Bíblia como a palavra de Deus, não pode em sã consciência e honestidade, pregar um discurso diferente do que consta em suas páginas. A linguagem bíblica, como conhece o autor do manifesto, tem vários aspectos. Há a linguagem simbólica, como figuras do Apocalipse e há a linguagem literal, que traduz ensinos e doutrinas, referentes a fatos, eventos ou prescrições literais, como na maior parte dos livros da Bíblia. Assim, no caso do estilo de vida homoafetivo, a linguagem bíblica é tão clara como a luz de sol, num dia de verão. Não há o que interpretar. Está escrito. É literal, real, objetivo. Se a Bíblia diz que a relação entre “homem com homem” “é abominação ao Senhor”, como interpretar diferente? Se a Bíblia diz que o lesbianismo é prática antinatural, como ensinar ou pregar de modo diferente?
No Novo Testamento (Romanos 1.24-27), a palavra de Deus diz que a união homoafetiva é “paixão infame”, ato “antinatural”, “torpeza”, como dizer de outra forma? O que os evangélicos comprometidos com a palavra de Deus querem é o direito de pregar aquilo em que creem. E terem sua opinião respeitada. Se os gays querem ser respeitados, o que é correto, precisam entender que é um direito pregar uma mensagem que confronte sua prática sexual. E isso não quer dizer “ódio” ao “igual”, ou homofobia. Quem agride gays precisa ir para cadeia, sim. E não quem prega a palavra de Deus.
A Bíblia registra condenação aos que pregam a inversão de valores espirituais. Diz o profeta Isaías: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal! Que fazem da escuridade luz, e da luz, escuridade, e fazem do amargo doce, e do doce, amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes diante de si mesmos!” (Is 5.20, 21). A expressão “Ai...” denota condenação. Quem é fiel a Deus e à sua palavra não pode admitir tal comportamento.
4. EVANGÉLICOS QUEREM IMPOR SEU ESTILO DE VIDA À POPULAÇÃO. Assim como os homossexuais, os evangélicos são minoria, no País. E não querem “impor” seu estilo de vida à população. Quem deseja impor seu estilo de vida à nação é o segmento LGBT. Haja vista a pressão para que o governo brasileiro implante o programa “Escola Sem Homofobia”, a começar do ensino a crianças. O autor do manifesto sabe bem o que isso significa. Querem ensinar a prática homossexual a crianças de jardim de infância, de pré-escola, de ensino fundamental.
Uma Cartilha sobre sexo ensina a masturbar bebês de quatro meses! Para que eles sejam viris quando ficarem adultos! Esse tipo de (des) educação, dita “avançada”, pretende, sim , impor a homossexualidade como um estilo de vida aceitável para todos. Uma proposta, do maior interesse dos homossexuais, pretende eliminar dos documentos pessoais, os termos “pai” e “mãe”. Termos que são patrimônio linguístico de povos e nações, ao longo de milênios! Querem impedir que se promovam comemorações do dia dos Pais e das Mães, para não constranger “famílias homoafetivas”. A que ponto poderemos chegar, se esse segmento conseguir impor suas pretensões!
5. DE QUE LADO ESTÁ A FOBIA? Do lado homossexual ou dos evangélicos? Com toda a segurança a fobia está do lado LGBT. Não se vê, na mídia, um só caso de evangélico atacando grupos gays, invadindo recintos frequentados por eles, desrespeitando seu ambiente. Mas, só nos últimos dias, vimos, na TV ou na internet, casos absurdos de falta de respeito, intolerância e agressão a evangélicos, motivados pela revolta dos homossexuais pela indicação do Deputado Marco Feliciano à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Deputados.
Em Belém, homossexuais invadiram uma igreja, e protagonizaram total desrespeito ao recinto de culto; duas lésbicas se beijaram e se deixaram fotografar para mostrar seu comportamento em publico; um bispo católico estava dando uma entrevista, e militantes gays invadiram a emissora e jogaram água no religioso, um senhor de idade, além de tirarem parte da roupa em público; a fobia está do lado de quem não tem serenidade; de quem agride, desrespeita e achincalha a quem discorda de suas ideias. Não vejo homofobia, e sim, heterofobia explícita, ou evangélicofobia do lado dos gays.
6. CONCLUINDO. Desejo usar texto do manifesto, em que os evangélicos são exortados pelo autor do documento: “Que esse rebanho de Deus, em algum momento perceba que é necessário, acima de tudo respeitar o próximo – se não conseguem simplesmente amar como Cristo ordenou. E isso implica em cada um cuidar da sua própria salvação e não em obrigar os outros a aceitar as suas opiniões, que muitas vezes caem em agressões verbais e físicas, ao invés de demonstrações de amor e ternura como bem cabe a um cristão”. Concordo, desde que a recíproca seja respeitada. Que os homossexuais não queriam “obrigar os outros a aceitar suas opiniões, que muitas vezes caem em agressões verbais e físicas”.
Como cristão, que entende que a Bíblia é a palavra de Deus, inspirada, revelada, e inerrante, espero ter o direito de pregar seus ensinos, em qualquer lugar e por qualquer meio. Afinal, estamos numa Democracia. Entendo que não deve continuar essa “guerra” entre homossexuais e evangélicos. Que os homossexuais tenham seus direitos assegurados, como cidadãos brasileiros. E que os evangélicos, de igual modo, tenham o sagrado direito de pregar o evangelho, “por todo o mundo” e “a toda a criatura”, como Cristo ordenou. Que se desarmem os espíritos; que o amor, a consideração e o respeito prevaleçam. Que Deus abençoe a todos.
* Pastor da Assembleia de Deus em Parnamirim-RN;

sábado, 13 de abril de 2013

ENTREVISTA DO PR. JOSÉ WELLINGTON PRESIDENTE REELEITO DA CGADB A UOL

Feliciano quer tirar proveito da situação, diz líder de sua igreja

JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DE BRASÍLIA
O pastor e deputado Marco Feliciano (PSC-SP) "está querendo tirar proveito" da onda de protestos para que ele deixe a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
A opinião é de José Wellington Bezerra da Costa, 78, reeleito anteontem presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus, principal entidade da maior denominação evangélica do país, da qual Feliciano faz parte.
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"Ele é político, está querendo tirar proveito desse troço. Ele está dando corda na coisa. Bobo ele não é", afirma Wellington, lembrando, no entanto, que a entidade dá "respaldo" para o deputado --que antes da polêmica era pouco conhecido fora dos círculos evangélicos.
Wellington é presidente da Convenção há 25 anos. Nesse período, a Assembleia se consolidou como uma potência religiosa (12,3 milhões de fiéis) e política (28 deputados federais).
"Somos muito assediados [por políticos]", diz o pastor, que apoia a reeleição da presidente Dilma Rousseff: "A candidatura dela é uma nomeação, não precisa nem ir para a eleição".

José Wellington

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Andre Borges/Folhapress
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O pastor José Wellington, 78, confirmou o favoritismo e foi reeleito presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, principal entidade da maior denominação evangélica do país
Folha - Há um levante preconceituoso contra o Feliciano?
José Wellington - O Feliciano é novo, jovem, inteligente e eu creio que vocês são inteligentes, vocês estão vendo que ele está querendo tirar proveito. Ele é político, está querendo tirar proveito desse troço. Ele está dando corda na coisa. O Marco Feliciano, bobo ele não é.
Agora, eu acredito que há uma exploração, há uma exploração muito grande do pessoal do lado de lá [críticos de Feliciano]. A verdade é essa: nós estamos juntos da Igreja Católica. Porque a Igreja Católica não aceita. O que nós não aceitamos a Igreja Católica não aceita.
Um bispo de São Paulo me telefonou e disse: "Pastor, vamos fazer uma dobradinha, temos de marchar juntos porque não aceitamos". Eles não aceitam aborto, casamento de pessoas do mesmo sexo. Eu vi ontem na imprensa no Amazonas um juiz deu uma liminar para que o camarada lá casasse com duas mulheres. Negócio de doido, né? Só no Amazonas dá um troço desse.
Nós, da Assembleia de Deus, não participávamos da vida política do país. Só depois, quando eu assumi a presidência... Porque eu em janeiro agora completei 25 anos na presidência da Convenção Geral, fui reeleito nove vezes. Quando eu cheguei, com o crescimento da Assembleia de Deus, eu entendi que precisávamos colocar alguém para nos representar. E isso foi feito. Hoje temos 28 deputados federais 'assembleianos'. No total, são 80 os parlamentares evangélicos em Brasília [de diferentes denominações].
O Marco Feliciano... Ai, não foi porque ele é evangélico, foi um acordo do partido. Destinaram aquilo para o PSC. Coube ao Marco Feliciano e ele abraçou. Como ele antes de ser presidente dessa comissão havia feitos alguns pronunciamentos... Nós não aceitamos o comportamento dessa gente, mas não os perseguimos. Não temos qualquer preconceito com eles. Absolutamente nada. É que o grupo que está apoiando essa gente, balizou, aqui no Congresso, algumas leis que estão dando muito, muita força para essa gente, e dizem que o preconceito é nosso. Pelo contrário, eles é que são os preconceituosos.
Eles quem?
O grupo, o grupo. Porque há um grupo patrocinando isso aí. Você sabe que infelizmente que esse grupo de gays, lésbicas e essa gente cresceu demais nos últimos tempos. Há interesse da parte deles que essas leis sejam aprovadas. Mas acredito que uma sociedade sensata jamais aceitará um comportamento antissocial como esse.
Qual a importância do Feliciano dentro da Assembleia de Deus?
Ele é um pastor tão igual como os demais. Eu tenho um filho deputado federal [Paulo Freire (PR-SP)], estava aí. O meu filho eu vejo melhor [risos]. Mas, como pastor da Igreja, ele não tem qualquer destaque, qualquer direito a mais, nenhuma proteção a mais, ele é um pastor igual aos demais.
Nas sessões da Comissão, parece existir uma unanimidade contra Feliciano. Mas os valores que eles defendem são valores comuns aos 12,3 milhões de fiéis da Assembleia de Deus, certo?
Valores comuns a uma sociedade sensata, uma sociedade sadia. Quando escreveram o PL 122 [que criminaliza a homofobia], nós [evangélicos] reunimos e tomamos algumas posições em relação àquilo ali. Chamamos os deputados federais e pedimos para que eles segurassem a coisa. Eu mesmo fui lá falar com o presidente da Câmara, fui falar com gente do Senado, até o senador José Sarney [PMDB-AP, ex-presidente da Casa] me mandou uma cartinha muito bonita. É uma posição nossa mais bíblica, nada preconceituosa. Por exemplo, se chegam dois cidadãos lá [na igreja que ele comanda, em SP], se dizendo crentes e pedindo que eu faça um casamento deles eu não faço nunca [risos]. Aí a lei [do projeto] vai e me condena, diz que é discriminação, me joga na discriminação, cinco anos de cadeia, sem direito a qualquer recurso, é um absurdo um troço desse.
Qual a posição da Convenção sobre a alegação de Feliciano de que Noé amaldiçoou os africanos?
Essa é uma interpretação teológica. A Bíblia, quando conta a histórica de Cã, a tradução chama de Cão, né?, é que aquele filho de Noé (eram três) quando o pai tomou uns gorós e, bêbado, se despiu, ficou caído bêbado, veio um dos filho, viu os dois, e saiu criticando, né?, outro veio, de costas, e cobriu a nudez do pai, então esse o pai abençoou e outro ele amaldiçoou. Cada um interpreta como queira. Qual foi a mudança que houve, se foi de cor, eu não sei.
Mas eu soube que dentro da igreja a posição não é essa.
Olha, eu não sou paulista, eu sou cearense. A cor da pele não faz muita diferente não, sem dúvida nenhuma. Eu recebo o irmão pretinho, a velhinha pretinha, para mim eu tenho tanto carinho, amor e respeito quanto por qualquer outro. Acredito que essa é a posição da maioria dos pastores. Agora, ele e alguns outros pregam isso, que os negros, os africanos, são descendentes de Cão.
O que o conjunto de valores dos evangélicos pode trazer para a discussão dos direitos humanos?
Em primeiro lugar, eu parto da premissa da própria vida na nossa Constituição. Que todos nós somos iguais perante a lei. Alguém disse que somos quase iguais, mas a letra disse que somos iguais. Acho que todo brasileiro deve ter sua liberdade de culto, de voto, do ir, do vir, os princípios de direitos humanos que a Constituição predispõem, acredito que ali está muito correto para todos nós. E também, em relação ao Estado ser laico, eu entendo perfeitamente o texto da lei. O Estado é laico, mas o povo é cristão, o povo tem religião. De maneira que essa interpretação. Entendo é que na vida administrativa deve ser separado um do outro, são dois ramos equidistantes, porém quando se trata da vida religiosa, todo povo tem a sua religião. E eu respeito perfeitamente. Eu tenho amizade por todos eles [líderes de outras religiões].
Qual deve ser o papel de qualquer igreja num Estado?
Em primeiro lugar, nós trabalhamos para paz social, na recuperação da criatura humana. Eu entendo que o homem, em si, tem condição de se recuperar em qualquer circunstância da vida. O lado social, o benefício à criatura humana em todas as áreas da vida, desde a educacional, da alimentação, da parte familiar, da parte social, de se integrar à sociedade, procurar ajudá-lo para que ele consiga emprego, trabalho, afim de que essa pessoa, que era uma pária para a nação, passe a ser um cidadão de bem, operando, contribuindo para a nação.
Na parte religiosa, nós temos muito o que ensinar da palavra de Deus, nada do José Wellington, eu prego Jesus Cristo, nosso salvador. Quando nós pregamos a bíblia, ela em si tem um poder transformador, não há necessidade de qualquer adendo, qualquer filosofia para misturar com a bíblia, ela em si já é a autoridade divina. O meu caso: aceitei Jesus com 8 anos de idade. Não fumei, não bebi, não me prostituí. Eu tenho quase 79 anos e tenho uma saúde perfeita.
O assédio dos políticos a vocês é muito grande?
É sim, somos bastante assediados. Só que a minha orientação como presidente foi sempre procurar ajudar os de casa. Por que, se eu elejo uma pessoa do nosso convívio eclesiástico, [é] alguém que eu tenho uma certa ascendência [sobre], que ele possa ser um legítimo representante da igreja. Temos que trabalhar os de casa. Eles merecem a atenção, a ajuda e a confiança.
Como vocês escolhem as pessoas que apoiam?
Chegou a ser de senador para cima, que precisa de mais votos, aí nós procuramos alguém que seja, no mínimo, amigo da igreja.
O que é ser amigo da igreja?
Normalmente, o senador da República já foi prefeito, já tem uma história na vida política. E nós então vamos buscar. Nós tivemos algumas dificuldades com o PT em São Paulo. Hoje não temos mais, graças à Deus por isso. Hoje tenho boa amizade com o prefeito de São Paulo [Haddad], sempre tive muita amizade com o Kassab, que saiu, tenho muito respeito e muita amizade também pelo governador, agora, eu não posso fazer divergência de partidos, eu trabalho com o povo. Na Igreja eu tenho PT, eu tenho PR, tenho PSDB, cada um acha que sua filiação está correta, Deus te abençoe. No contexto geral, somos crentes.
Qual a sua opinião sobre a Dilma?
Eu vejo com muito bons olhos. Confesso a você que não votei na Dilma. Eu tinha certos resquícios do PT lá em São Paulo. Mas esta senhora tem superado [as expectativas]. Ela pegou uma caixa de marimbondo na mão, mas tem sido muito honesta com seu governo e com o povo. Hoje, na minha concepção, a candidatura dela é uma nomeação, não precisa nem ir para a eleição, ela é eleita tranquilamente.
Vocês apoiam ela em 2014?
Eu até teria muito motivo para dizer não, mas esqueço tudo isso aí a bem do povo, ela tem sido muito correta na administração do nosso país.
Com "PT de São Paulo" o senhor quer dizer Marta Suplicy?
[Risos] Deixa isso pra lá. O meu concorrente [na eleição desta semana], pelas informações que eu tenho ele recebeu todo o beneplácito do Planalto. Eu não recebi, e não recebi porque também não pedi. Na nossa igreja em São Paulo nunca entrou um centavo nem da prefeitura, nem do Estado nem da nação. Nunca pedi, de maneira nenhuma. A presidenta, num ano desses, eu estava aniversariando e ela foi lá me ver, me dar os parabéns. Foi lá com quatro ministros, o Padilha e outros mais. Recebi com muito carinho, muito amor, perfeitamente. Mas não peço. Agora, entendo que, se algum dia precisar pedir, sou um brasileiro que paga imposto, tenho tanto direito quanto os demais.
E o senhor tem um poder muito forte.
Vou dizer uma coisa para você. Eu não sou político, sou de uma família de políticos. Meu irmão foi deputado estadual durante três legislaturas. Minha filha é vereadora em São Paulo, a Marta, foi reeleita agora pela terceira vez. O Paulo foi eleito deputado com 162 mil votos, uma votação relativamente boa para São Paulo. E acredito que, pelo trabalho que ele está fazendo, talvez supere os 200 mil votos agora [em 2014]. Na eleição passada, ainda o [Orestes] Quércia [ex-governador de São Paulo, morto em 2010] era vivo, ele foi lá na nossa Igreja, ele, [o ex-prefeito Gilberto] Kassab e o [ex-governador José] Serra. Eles me convidaram para que eu fosse suplente. E eu então agradeci a gentileza deles e pedi dois dias [para pensar]. Eu até brinquei: "Deixa eu consultar minhas bases por dois dias". Na verdade, eu não ia aceitar. Eles voltaram, eu agradeci, educadamente. Então o Quércia disse: "Pastor, eu estou doente, você vai ser o senador". Eu disse: "É por isso que eu não quero". Eu não tenho tempo para mexer com a política. Não quero. A minha vocação é a igreja. Em São Paulo, nós temos 2.300 e poucas congregações [filiais] ligadas ao nosso ministério. É um batalhão de gente.
No total, a Convenção tem quantas Congregações?
O número de evangélicos da Assembleia de Deus é um ponto de interrogação. Em 1994, eu já era presidente, eu fiz um censo entre nós e na época nós contamos 12,4 milhões de crentes na Assembleia de Deus. O crescimento da Assembleia de Deus, é o levantamento que eu tenho, é de 5,14% ao ano. Quando estou falando de membro estou falando daquele que foi batizado e tem responsabilidade na Igreja. Quando o Fernando Collor era presidente eu falei: "Presidente, se nós fôssemos políticos, a Assembleia de Deus teria muito mais condição de contar com o povo do que o seu partido, porque vocês não têm uma filial em todos os municípios do Brasil." A Assembleia de Deus temos em quase todas as vilas de todos os municípios do Brasil nós temos um templo. São mais de 100 mil templos que tem a Assembleia de Deus no Brasil.
A revista britânica "The Economist" recentemente comparou o papa a um presidente de uma empresa. É isso mesmo?
A igreja tem os dois lados. Tem o lado espiritual e o lado material, o lado social. No lado espiritual, é a bíblia, oração, jejum, ensinamento bíblico. Do lado material, do lado do patrimônio, é uma empresa que nós temos que administrá-la de acordo com as leis vigentes no país. A Assembleia de Deus difere de outras igrejas evangélicas. Nós não vivemos correndo atrás do dinheiro. O dinheiro para nós não é o essencial. Nosso desejo é ganhar almas para Deus, o benefício da criatura humana. Nós somos um povo de vida social modesta mas que procura cuidar da igreja administrando-a seguramente.
Qual a receita anual de todas as Assembleias juntas?
Não sei. Não estou lhe negando, porque esses valores [não são] da Convenção Geral. E a Convenção Geral tem o caixa mais pobre do mundo. Estou há 25 anos e desafio qual é o tesoureiro que possa dizer: "O José Wellington usou R$ 0,05 do caixa".
E da Convenção?
São R$ 7 [milhões] ou R$ 8 milhões. É muito pouco. A nossa contribuição mensal é R$ 5 por mês [por obreiro], vou aumentar isso aí. Cada igreja tem a sua autonomia administrativa. Lá em São Paulo, essas 2 mil e poucas igrejas, essas todo o dinheiro vem para o Belém [central da congreção de Wellington em São Paulo]. E ali a gente administra e repassa para as construções e compromissos da igreja.
A maior parte que vocês juntam é gasto com o trabalho social? Tem muita gente que acha que as igrejas evangélicas servem para enriquecer os pastores.
Fui comerciante em São Paulo, e quando saí, não saí rico, mas com uma vida econômica estável. E o que eu tinha eu conservei até agora. Eu tenho algumas propriedades, eu já tinha uma boa casa onde morar, carro novo, caminhão. Não joguei fora, conservei. Mas digo por experiência: se alguém pensa em ser pastor para ganhar dinheiro, pode procurar outra profissão. Estou falando pastor, não estou dizendo essa turma que vive explorando, arrancando dinheiro do povo. A Assembleia de Deus não faz isso.
Quem faz isso?
[risos] Você é um moço inteligente. A televisão está cheia dessa gente. Nosso afã não é esse. Estou construindo um templo-sede em São Paulo, porque nossa igreja na verdade ficou muito pequena, então compramos uma quadra e gastamos aí uns R$ 47 [milhões], R$ 48 milhões. Estamos no acabamento. [Perguntam]: "Quando o senhor vai inaugurar?" Quando o dinheiro der [risos].
Houve um aumento de quase 50% nos fieis da igreja entre 2000 e 2010, segundo o Censo. Por que cresceu tanto?
Existem duas operações. Primeiro, a bênção de Deus sobre nós. E em segunda lugar é que a salvação que recebemos de Jesus é tão boa, ela é tão gostosa, nos trás tanta alegria, tanta satisfação, que todo crente tem o prazer de dizer que é crente. Nós transmitimos para o nosso semelhante aquilo que Deus fez na nossa vida. Então, nessa demonstração de fé, estamos ganhando outros para Jesus. Aí está o crescimento da Assembleia de Deus. Não é nossa filosofia, não é nosso preparo cultural, é esta vida saudável que recebemos de Deus e partilhamos com aqueles que estão em volta de nós.
Com esse crescimento da igreja, e à luz do que ocorre com o Feliciano, o senhor sente um aumento do preconceito contra os evangélicos no Brasil?
Não, ao contrário. A minha geração, quando eu era criança, eu me recordo muito disso aí, quantas vezes os irmãos iam dirigir cultos ao ar livre, e terminava debaixo de pedradas, jogavam pedras, jogavam batatas, ovos, cebolas, era um negócio tremendo. Nós sofremos isso aí. Na época, nas cidades do interior do Ceará, se somavam um chefe religioso, um delegado de polícia e um juiz de direito e os três... Templos nossos foram destruídos, entravam nas casas do crentes, arrancavam as bíblias, faziam fogueira de bíblias nas praças, isso aí nós chegamos a conhecer no meu tempo. De lá para cá melhorou muito. Por que? Ontem, nossa penetração social era classe D para baixo. Hoje, pela graça de Deus, conseguimos alcançar uma classe social mais alta. A nossa igreja tem juiz de direito, tenho 14 netos e todos eles formados, quatro médicos. Então essa penetração social, ela mudou a visão da Assembleia de Deus. Esse problemazinho do Marco Feliciano é muito mais de enfeite da mídia e um pouco de proveito dele.
Às vezes, parece que ele está sozinho.
Nós temos por ele muita amizade e queremos o melhor para ele. Agora, não fomos nós que o indicamos para presidente da Comissão. Agora, já que ele está lá, vamos procurar dar um respaldo. Desde que também ele tenha um comportamento que não venha a comprometer a igreja.
Ele atraiu uma atenção negativa para a Assembleia?
[risos] Não, ele está tirando proveitozinho porque ele é vivo, né?
Essa campanha [para a Convenção] é parecida com a de uma campanha política?
Infelizmente, é. Não era assim. Eu me recordo de quantas vezes eu me reunia com as lideranças da nossa igreja numa convenção, não tão grande quanto essa, e os candidatos ali e nós votávamos por aclamação e OK.