quarta-feira, 5 de maio de 2010

Julgamento


"Havia numa aldeia um velho muito pobre, mas até reis o
invejavam, pois ele tinha um lindo cavalo branco...
Reis ofereciam quantias fabulosas pelo; cavalo, mas o homem
dizia: - Este cavalo não é um cavalo para mim, é uma pessoa.
E como se pode vender uma pessoa, um amigo ?;
O homem era pobre, mas jamais vendeu o cavalo.
Numa manha, descobriu; que o cavalo não estava na cocheira.
A aldeia inteira se reuniu, e disseram: - Seu velho estúpido!
Sabíamos que um dia o cavalo seria roubado. Teria sido melhor
vende-lo. Que desgraça !
O velho disse:
- Não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está na cocheira.
- Este é o fato, o resto é julgamento.
Se se trata de uma desgraça ou de uma benção, não sei, porque este é apenas
um julgamento.
Quem pode; saber o que vai se seguir ?
As pessoas riram do velho.
Elas sempre souberam que ele era um pouco louco.
Mas, quinze dias depois, de repente, numa noite, o cavalo voltou. Ele não havia sido roubado, ele havia fugido para a floresta.
E não apenas isso, ele trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo.
Novamente, as pessoas se reuniram e disseram: - Velho, você
estava certo. Não se trata de uma desgraça, na verdade; provou ser uma benção.
O velho disse:
- Vocês estão se adiantando mais uma vez.
Apenas digam que o cavalo esta de volta... quem sabe se e uma benção ou não?
Este é apenas um fragmento.
Você lê uma única palavra de uma sentença
- como pode julgar todo o livro?
Desta vez, as pessoas não podiam dizer muito, mas interiormente sabiam;
que ele estava errado.
Doze lindos cavalos tinham vindo... O velho só tinha um único filho, que
começou a treinar os cavalos selvagens.
Apenas uma semana mais tarde ele caiu de um cavalo e fraturou as pernas.
As pessoas se reuniram e mais uma vez, julgaram. Elas disseram:
- Você tinha razão novamente. Foi uma desgraça. Seu único filho perdeu o uso das pernas,
e na sua velhice ele era seu único amparo. Agora você está mais pobre do que nunca.
O velho disse:
- Vocês estão obcecados por julgamento. Não se adiantem tanto.
Digam; apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe se isso é uma
desgraça ou uma benção.
A vida vem em fragmentos, mais que isso nunca é dado.
Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou em guerra, todos os jovens da aldeia foram forçados a se alistar.
Somente o filho do velho foi deixado para trás, pois recuperava-se das fraturas.
A cidade inteira estava chorando, lamentando-se porque aquela era uma luta perdida
sabiam que a maior parte dos jovens jamais voltaria. Elas vieram até velho e disseram:
- Você tinha razão velho - aquilo se revelou uma bênção.
Seu filho pode estar aleijado, mas ainda está com você. Nossos filhos foram-se
para sempre.
O velho disse:
- Vocês continuam julgando. Ninguém sabe ! Digam apenas que seus filhos foram
forçados a entrar para o exército e que meu filho não foi.
Mas somente Deus sabe se isso é uma benção ou uma desgraça. Não julgue, porque
dessa maneira jamais se tornará uno com a totalidade. Você ficará obcecado com
fragmentos, pulará para as conclusões a partir de coisas pequenas.
Quando você julga você deixa de crescer. Julgamento significa um estado mental
estagnado. E a mente deseja julgar, porque estar em um processo é sempre
arriscado e desconfortável. Na verdade, a jornada nunca chega ao fim.
Um caminho termina e outro começa: uma porta se fecha, outra se abre. Você atinge
um pico, sempre existirá um pico mais alto. Aqueles que não julgam, estão satisfeitos
simplesmente, em viver o momento presente e de nele crescer...
Somente eles são capazes de caminhar com Deus.

Um comentário:

Margarete Solange Moraes disse...

Adorei, esse e os outros artigos que li neste blog. Muito interessantes, amei.