domingo, 16 de maio de 2010

A MOEDA


Quando criança, certo dia, estando na loja de meu pai, fui interpelado por um mendigo que pedia esmola.
Notando os trajes rasgados do homem, mais que depressa corri à gaveta do balcão e retirei uma moeda, que fui entregar, muito alegremente, ao pedinte.
Meu pai assistiu a tudo, porém nada me disse, continuando calmamente a atender sua freguesia.
Não muito tempo se passou e uma pobre mulher apareceu, fazendo a mesma solicitação.
Não pensei duas vezes e corri à gaveta, porém, antes que a abrisse, meu pai embargou o meu gesto. E disse muito naturalmente:
- Onde está o cofre onde você guarda as moedinhas que lhe sobram?
- Aqui mesmo, na gaveta de sua escrivaninha.
- Então, filho, vá buscá-lo.
Eu trouxe o cofre e papai pediu que eu o abrisse. Obedeci.
- Agora, filho, você vai escolher uma moedinha igual àquela que ia dar...
Fiz o que me mandava, muito surpreso.
Quando a mulher se retirou, papai me explicou:
Filho, o verdadeiro óbolo, o que agrada a Deus é somente aquele que vem do que é verdadeiramente nosso. Você agiu certo da primeira vez, só que não deu o que era seu.
É dando que recebemos, mas só recebemos da Misericórdia Divina quando damos o que temos.
Compreendeu?
Sim, eu compreendera. Ele arrematou dizendo:
- Você já ouviu as pessoas comentando façanhas alheias e dizendo que a cortesia foi feita com chapéu alheio? É isso. Eu lhe peço que só use seu chapéu. E tudo estará certo.
Nunca mais esqueci o episódio, pois foi assim que aprendi o verdadeiro sentido do ato de dar.
A lição permaneceu em mim por toda a vida e tem me ajudado a realizar uma caridade mais autêntica e mais coerente.

3 comentários:

Margarete Solange Moraes disse...

Muito bom esse artigo! Vou me lembrar disso da-qui pra frente para não querer fazer bondades usando a carteira do meu marido.

nadijane disse...

Eu também.O pior é que estou usando a do meu marido e de minha filha,já fiz isso milhões de vezes.Tem sentido o texto.Estou aprendendo tanto nesses blogs maravilhosos abençoados por Deus.

Rafaela disse...

Bem, eu não tenho marido e nem filho para fazer bondade usando a carteira deles, como as meninas acima relataram (rsrsrs só uma brincadeira.)Mas essa é uma mensagem muito proveitosa que irei lembrar quando for ajudar alguém.